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Notícias > Por quê monitorar a água que não vemos?

Publicado em 27/10/2014
Por quê monitorar a água que não vemos?

Monitoramento hidrológico pode indicar como resolver problemas de escassez hídrica e de saúde pública

Água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas. Essa água desempenha um papel essencial na manutenção da umidade do solo, do fluxo dos rios, lagos e brejos e cumprem uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água precipitada. Também é utilizada em larga escala para o abastecimento público, especialmente em épocas de seca e escassez hídrica, tornando-se um recurso estratégico.

“Existe a falsa impressão que, se a água é subterrânea, a sua qualidade é ótima”, ressalta Marília Carvalho de Melo, diretora do Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM). Mas não é bem assim e, essa é uma das razões pelas quais diversos órgãos ambientais estão realizando o monitoramento das águas ‘abaixo dos nossos pés’. Este tema foi debatido no XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, evento promovido pela Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS) e realizado de 14 a 17 de outubro, em Belo Horizonte (MG).

“Com a falta d’água, um novo regime hídrico está se implementando em proporções continentais e mundiais. Por essa razão, o monitoramento hidrológico, tanto da água subterrânea como da superficial, poderá indicar como resolver as questões de falta d’água para consumo urbano, irrigação e indústria”, aponta Mauro Banderali, especialista em instrumentação hidrometeorológica da Ag Solve. 

Segundo o especialista, “as águas dos rios e barragens ou as subterrâneas, aquelas que nós ‘não vemos’, quando contaminadas, trazem consigo uma carga de substâncias tóxicas. Tais substâncias podem atingir até 80 mil diferentes organismos ou moléculas químicas originárias de processos industriais, dos agroquímicos, da indústria de fármacos, entre outros. Por isso, monitorar a qualidade da água que chega até a população é uma questão de saúde pública.”

Monitoramento busca minimizar riscos na saúde pública

“No interior (de Minas Gerais), já tive a oportunidade de estar em algumas cidades que utilizavam agua subterrânea e faziam a simples cloração para distribuir para a população. Portanto, este monitoramento é um desafio não só do IGAM, mas também de uma cooperação estreita com a Secretaria de Saúde, com os municípios e com a Vigilância Sanitária para que a gente possa levar informação correta para a população, minimizando os riscos de saúde pública”, garante Marília.

Segundo ela, o monitoramento da qualidade das águas subterrâneas vem sendo executado pelo IGAM desde 2005. “O objetivo é obter dados das águas subterrâneas com abrangência e duração adequadas ao acompanhamento de possíveis alterações espaciais e temporais na qualidade e quantidade e as possíveis tendências de aumento na concentração de poluentes em determinadas áreas. Além disso, é importante para ampliar a base de conhecimento hidrogeológico dos aquíferos e realizar a classificação e determinação de valores orientadores ou de background e enquadramento das águas”, comenta.

De acordo com Mauro Banderali, “atualmente o monitoramento da qualidade das águas pode ser realizado com equipamentos de alta tecnologia. Para essa função, a Ag Solve disponibiliza as sondas mutiparamétricas Aquaread, capazes de identificar uma infinidade de parâmetros”, afirma o especialista. Segundo ele, “as sondas Aquaread tem a função de mensurar a qualidade da água em tempo real, e o logger da Ag Solve (Ag Logger) permite o armazenamento e pré-tratamento do dado, validação e transmissão por celular, rádio ou satélite para um banco de dados para análise em tempo real ou futura”.

Objetivo é ampliar conhecimento hidrogeológico dos aquíferos

A geóloga e pesquisadora Maria Antonieta Alcântara Mourão, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), está à frente da Rede Integrada de Monitoramento de Águas Subterrâneas (RIMAS). Criada em 2009, é uma rede de abrangência nacional que tem como objetivo a ampliação da base de conhecimento hidrogeológico dos aquíferos brasileiros e o acompanhamento das alterações da qualidade das águas subterrâneas. “A natureza da rede é essencialmente quantitativa, ou seja, estão sendo medidos níveis de água; o interesse é determinar as variações de recarga, variações de reserva, interpretar a respeito de impactos que a água subterrânea esteja sofrendo por questão das explotações, mas também há uma preocupação com a questão da qualidade, então foi implantado um sistema de alerta e controle qualitativo”, especifica.

 

A RIMAS possui 326 poços de monitoramento em 31 aquíferos brasileiros. Até 2015, terá 423 redes de monitoramento. “Os parâmetros que estão sendo monitorados são o nível d’água e também parâmetros físico-químicos e químicos. Para medir o nível d’água, são realizadas medidas horárias, através de equipamentos automáticos instalados dentro do poço, que estão configurados para medir a cada hora o nível d’água. Já o monitoramento da qualidade é feito a cada seis meses. Nossos técnicos vão a campo para fazerem coleta de água e medição dos parâmetros físico-químicos e químicos. Entre eles estão: nitrato, nitrito, pH, condutividade elétrica, potencial de oxirredução, oxigênio dissolvido e temperatura”, afirma a geóloga. 

Segundo Maria Antonieta, a RIMAS também possui um sistema de análise físico-química completa envolvendo parâmetros inorgânicos e orgânicos, voláteis e semivoláteis. “A coleta para análises completas é feita no ato da instalação do poço e a cada cinco anos. Se por acaso algum dos parâmetros físico-químicos, que são considerados para nós indicadores, apresentarem algum tipo de variação significativa, também há necessidade de promover essa coleta para análises mais completas”, conclui.

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