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Notícias > Tempestades e enchentes: é possível evitar grandes danos?

Publicado em 20/01/2014
Tempestades e enchentes: é possível evitar grandes danos?

 

A formação das chamadas ilhas de calor é fator determinante para a ocorrência das alterações climáticas. Foto: Jay Dantinne, Unplash

 

*Por Mauro Banderali

O aumento da frequência das tempestades em grandes centros urbanos reforça a ideia de que a formação das chamadas ilhas de calor é fator determinante para a ocorrência desta alteração climática. O fenômeno é atribuído a uma concentração de calor em microrregiões, em função de uma ausência de cobertura vegetal e adensamento das mudanças antrópicas em centros urbanos, que causam maior incidência de radiação solar e menor disponibilidade de água em grandes extensões de área. Como consequência, os eventos de chuva e ventos, em condições específicas, são mais violentos quando comparados com os registros locais passados.

Dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontam que houve no Brasil um aumento de 79% no número de dias de tempestades nos últimos 60 anos em comparação à primeira metade do século XX. A pesquisa considerou dados de 14 cidades brasileiras, todas com mais de 500 mil habitantes e que tiveram um expressivo aumento da população nos últimos 50 anos. De 1910 a 1951, havia 43 dias de tempestade por ano nestas cidades, em média. Em 2010, esse número saltou para 77 dias. O aumento foi observado em todas as regiões do Brasil e as cidades que apresentaram dados mais relevantes foram São Paulo, Goiânia, Belém e Manaus, com aumentos superiores a 100%.

Além dos prejuízos materiais e financeiros para a própria sociedade, o aumento das tempestades e dos demais fenômenos climáticos gera outra preocupação: a disseminação de doenças e uma maior diluição de agentes poluentes. Isso porque a grande quantidade de chuvas, aliada a fatores como impermeabilização do solo, canalização dos cursos d’água e redução da capacidade de vazão das drenagens, faz com que as grandes cidades enfrentem o desafio das enchentes com uma frequência muito maior do que se via há alguns anos. Considerando que os rios das grandes cidades estão cada vez mais poluídos, quando inundam oferecem um grande risco à saúde da população. Sob efeito da água, os contaminantes são arrastados seja pela erosão dos solos, diluição em água ou ácidos fracos ou ainda expostos à ação dos ventos.

Para tentar prevenir e detectar alagamentos e enchentes, primeiramente deve ser observada a questão da ocupação das margens dos rios e corpos d’água pela população. Além disso, os gestores municipais e estaduais devem monitorar o planejamento, construção e operação de represas e barragens com o objetivo de compreender e ponderar os efeitos de eventos extremos nas várias áreas que compõem uma determinada região.

A utilização de equipamentos hidrometeorológicos para coleta de dados pode antever estes eventos climáticos, planejar as obras e ações necessárias e minimizar os danos trazidos por estes eventos, além de alertar as comunidades atingidas sob estes efeitos. Com a implantação de um conjunto de instrumentação para o monitoramento é possível identificar os riscos de inundações e minimizar perdas humanas, além de danos materiais e prejuízos financeiros.

Para amparar as decisões, a instalação de equipamentos e sensores capazes de monitorar a hidrologia e meteorologia da região pode ajudar a evitar este tipo de ocorrência catastrófica. Quando instalados às margens de um rio, por exemplo, os equipamentos podem formar uma rede de monitoramento pluvio-linimétricas, telemétrica ou não, onde dados acumulados ano após ano formarão bases históricas, evidenciarão as mudanças climáticas da região e auxiliarão não apenas as decisões sob eventos extremos, mas servirão de apoio a decisões quanto à ocupação de áreas para uso urbano, disponibilidade de água para a comunidade e orientações para construções habitacionais, comerciais e industriais. O trabalho de análise periódica dos dados permitirá a avaliação temporal das condições do clima, do comportamento dos cursos d’água e da frequência de emergências ao longo do tempo. A transmissão das informações e o acompanhamento podem ser realizados tanto remotamente quanto em tempo real.

Nunca se investiu tanto em recursos hídricos com verbas federal e estadual no Brasil como tem ocorrido nos últimos anos. Esperamos que os resultados destes investimentos sejam perenes na operação e geração de informações pertinentes à sociedade, para que possamos reverter o investimento em proteção à população, dentro e fora de grandes centros urbanos.

 

*Mauro Banderali é especialista em instrumentação hidro-meteorológica e diretor da Ag Solve, empresa especializada em soluções tecnológicas para monitoramento nas áreas de hidrologia e meteorologia

Fonte: Revista Pollution Engineering- Edição de Outubro à Dezembro.

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