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Notícias > Impacto da meteorologia nos processos industriais

Publicado em 02/12/2013
Impacto da meteorologia nos processos industriais

*Por Mauro Banderali

Agentes meteorológicos podem influenciar na segurança dos processos industriais; tecnologia contribui para monitoramento e tomada de decisões que evitam prejuízos

Desde os primórdios da civilização, a meteorologia, ciência da atmosfera, interfere diretamente na sobrevivência do homem e de toda biologia do planeta. Nas comunidades egípcias, por exemplo, a oferta de alimentos dependia de condicionantes relacionadas ao regime de chuvas e à rede de drenagem (rios). Já a comunidade europeia, para garantir os bons resultados na agricultura, registrava todo plantio e colheita, bem como fatores meteorológicos (chuvas e ventos) nos livros da comunidade.

Atualmente, apesar de agentes meteorológicos influenciarem setores como indústria, engenharia civil, transportes e outros - ocasionando impactos econômicos e ambientais -, é possível optar por um maior controle por meio do monitoramento dos agentes atmosféricos. O monitoramento permanente dos fenômenos que ocorrem na atmosfera permite o acúmulo de conhecimento para que possam ser desenvolvidos métodos de proteção baseados nos registros, além de serem estabelecidos limites entre risco x investimento. Como os eventos extremos não ocorrem todos os dias e não são passíveis de controle, algumas empresas optam por não monitorá-los. Porém, o monitoramento constante das condições de dispersão das emissões atmosféricas produzidas pela atividade da empresa garante a conformidade com as normas estabelecidas por lei. Como a legislação ambiental brasileira é mais restritiva, há o temor de uma ação de embargo – seja pelo material particulado lançado pelas chaminés ou pelo odor que gera na região. Assim, muitas empresas optam por um monitoramento preventivo com sistemas telemétricos.
 
Aplicação da meteorologia na indústria

Quando um vazamento com um produto químico acontece em uma fábrica e soa a sirene de alerta, como orientar os funcionários por qual lado sair, para qual direção a contaminação vai avançar e em quanto tempo? Estas perguntas podem ser respondidas sabendo-se a frequência, a direção e a intensidade dos ventos, já que os incêndios, vazamentos e a dispersão de particulados no ar sempre se propagam na direção do vento. Nas indústrias, os odores e a dispersão dos poluentes são aplicações convencionais e merecem especial atenção, principalmente quando localizadas em grandes centros urbanos. Mas esse cuidado precisa existir mesmo que as indústrias estejam em lugares mais distantes. Além disso, ventos médios e fortes são capazes de danificar e desestabilizar estruturas industriais e gerar um arrasto de materiais, o que interferirá na segurança dos lugares e das pessoas envolvidas.

Por meio do monitoramento dos ventos, que pode ser realizado por meio de uma estação meteorológica automática, é possível localizar informações sobre direção e velocidade dos ventos e vendavais e tomar decisões imediatas quando algum vazamento químico for detectado, antes que haja a dispersão do odor e do próprio composto, normalmente tóxico. Os dados sobre a direção e velocidade dos ventos, obtidos por intermédio da estação meteorológica automática, são armazenados em um equipamento chamado datalogger, um processador de informações da estação meteorológica automática que indica os dados para um melhor procedimento em situações de risco.

Além dos ventos, fenômenos como chuvas de grande intensidade, são capazes de inundar estradas e acessos, impossibilitando a entrada e saída de pessoas e materiais, como também podem afetar pátios de armazenagem de produtos ou matérias-primas, gerando atrasos e perdas. Na indústria da construção civil, a ocorrência de chuvas é capaz de causar danos ou rupturas em barragens de rejeitos, situação que já foi presenciada por dezenas de vezes no Brasil. Outro efeito comum é o alagamento ou deslizamento de encostas. Por vezes a região atingida possui indústrias ou postos de combustíveis, que acabam por liberar substâncias nocivas ao ambiente e o controle fica praticamente impossível de ser realizado. Portanto, para empresas que investem em soluções inteligentes e desejam uma maior harmonia com as forças da natureza, dados meteorológicos são básicos para o processo e o investimento em tecnologias de alta qualidade técnica são indispensáveis.

*Mauro Banderali é especialista em instrumentação hidro-meteorológica e diretor da Ag Solve, empresa especializada em soluções tecnológicas para monitoramento nas áreas de hidrologia e meteorologia

Texto originalmente publicado pela Revista Pollution Engineering

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