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Notícias > A meteorologia dos mínimos detalhes

Publicado em 26/03/2008

Uma ciência complexa, que tem merecido destaque especial no Brasil e no mundo todo, é a micrometeorologia de ecossistemas. Uma área que estuda os fenômenos meteorológicos associados às características de áreas reduzidas ou delimitadas, que ocorrem em pequena escala, restritas às camadas inferiores da atmosfera, mas que influenciam diretamente a superfície terrestre. “A micrometeorologia de ecossistemas analisa as interações entre a superfície e a atmosfera inferior. O estado físico da atmosfera é definido pela sua temperatura, umidade, velocidade do vento e pressão, mas para entendermos as variações desse estado físico precisamos conhecer também os fluxos de calor, energia e momentum entre os solos, as culturas e as florestas com a atmosfera”, explica Sérgio Mattos-Fonseca, diretor da Associação de Proteção a Ecossistemas Costeiros (APREC), doutorando na Área de Micrometeorologia de Ecossistemas da Universidade Federal de Viçosa.

 

O aumento do interesse dos meteorologistas nessa área cresceu muito devido à constatação de que cada vez mais só será possível melhorar as previsões de tempo e clima, dimensionar corretamente os impactos ambientais, avaliar os processos de interação solo-vegetação-atmosfera e oceano-atmosfera, se houver maior entendimento sobre os fenômenos meteorológicos de micro escala.Ao estudar as interações entre o ambiente físico e ecossistemas por meio de medições e análises dos fluxos de calor, energia e momentum podemos ampliar a nossa compreensão sobre os ciclos de carbono, água e nutrientes, além do crescimento e dinâmica de cada um dos ecossistemas. O conhecimento da micrometeorologia é fundamental para melhorar o gerenciamento dos recursos naturais”, diz Mattos-Fonseca.

 

Segundo o pesquisador, a micrometeorologia dispõe de várias técnicas que permitem a quantificação desses fluxos. “As pesquisas em micrometeorologia envolvem a investigação observacional e numérica dos processos de troca turbulenta na atmosfera sobre regiões continentais e no oceano. Envolvem também o desenvolvimento e a aplicação de modelos numéricos para simular circulações locais e a dispersão de poluentes atmosféricos”, afirma. Dentre as principais aplicações da micrometeorologia, ele destaca as relacionadas com a poluição atmosférica, previsão do tempo, utilização em modelos climáticos, planejamento urbano e as aplicações nas áreas agrícola e florestal.

 

Os estudos micrometeorológicos já vêm sendo realizados há bastante tempo na Europa e nos Estados Unidos, segundo o pesquisador. Entre as pesquisas recentemente realizadas no Brasil, está o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), em que o pesquisador participou com um trabalho de tese de doutorado, no qual realizou medições micrometeorológicas pioneiras no ecossistema do manguezal no Estado do Pará. “Atualmente esses estudos também estão sendo aplicados na agricultura, pelo Prof. José Maria N. da Costa da Universidade Federal de Viçosa”, conta ele. Para quem quiser uma introdução ao assunto, o pesquisador recomenda o livro: “Introduction to Micrometeorology” de S. Pal Arya. Há também o site da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET) - http://www.sbmet.org.br

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