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Publicado em 05/06/2012
Dificuldades no tratamento da água

Contaminação de rios por esgoto doméstico dificulta o tratamento da água para abastecimento público

A água é considerada um solvente universal com alto potencial de contaminação, pois tem a propriedade de solubilizar muitas substâncias. Além das substâncias químicas, outros compostos, mesmo em suspensão, também podem contaminá-la. Por isso, retirar os elementos químicos que foram dissolvidos na água é uma tarefa extremamente complexa. De acordo com o coordenador das Estações de Tratamento de Água (ETA’s 1 e 2) da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (SANASA), João Aparecido Edo, “no Brasil quem estabelece quais substâncias devem ser monitoradas e os limites aceitáveis é o Ministério da Saúde, através da portaria de potabilidade. Atualmente está em vigor a Portaria 2914. Dentre as várias substâncias químicas citadas na portaria, podemos citar os surfactantes (detergentes) como um dos mais difíceis de remover nas estações de tratamento”.

A SANASA, empresa de saneamento da cidade de Campinas (SP),   capta água do rio Atibaia, que abastece 95% da cidade e os distritos de Barão Geraldo, Joaquim Egídio e Sousas, e do rio Capivari para o tratamento e distribuição. Entre as principais dificuldades no tratamento feito pela empresa está a má qualidade da matéria prima. “A água do manancial está sujeita a descarga pontual criminosa (química ou biológica) ou acidental (transporte de cargas perigosas) ao longo da extensão do rio”, afirma o coordenador.

De acordo com o especialista em monitoramento e instrumentação ambiental, Mauro Banderali, “os principais problemas relacionados com os recursos hídricos são a urbanização acelerada, águas contaminadas por esgoto, por efluentes industriais, por hidrocarbonetos, por produtos químicos da mineração ou agrotóxicos, além da deposição de resíduos em rios, lagos e represas, crescimento de algas e cianobactérias e o uso intensivo das águas superficiais e subterrâneas”. Banderali salienta que “a contaminação dos mananciais por meio de atividades humanas gera a necessidade de um controle mais rígido da qualidade dos recursos hídricos”.

O tipo de contaminação predominante nos mananciais de onde a água é captada pela SANASA é o esgoto doméstico. “Embora os mananciais recebam despejo de diversas fontes, incluindo indústrias e cultivo agrícola (agrotóxicos), a principal fonte de contaminação ainda é o esgoto doméstico. Muitas cidades da região, inclusive Campinas, estão fazendo altos investimentos para a construção de estações visando tratar todo o esgoto gerado”, comenta o coordenador das ETA’s.

Para Banderali, investir no tratamento adequado para que a água tenha potabilidade necessária é fundamental para preservar a saúde da população. “A poluição das águas compromete tanto a biologia aquática quanto a disponibilidade para o abastecimento público, que deverá receber maior quantidade de tratamento. Iniciativas para recuperar a qualidade das águas dos rios, mares e lagos como prevenção, monitoramento, remediação das contaminações e aplicações de tecnologias são essenciais para o futuro da água no planeta”.

Como é feito o tratamento?

No processo de tratamento da água cada etapa visa remover ou inativar grupos de contaminantes que são afetados de forma similar pelo processo adotado. Segundo João Aparecido Edo, “os produtos químicos utilizados atualmente pela SANASA no tratamento são: carvão ativado, utilizado para a remoção de substâncias que causam sabor e odor; policloreto de alumínio (PAC) e cloreto férrico, utilizados para aglutinar partículas em suspensão e promover a clarificação da água; cal hidratada e cal virgem, alcalinizantes utilizados para a correção do pH; cloro, utilizado como agente oxidante e desinfetante; amônia anidra, utilizada em conjunto com o cloro para a formação de um agente desinfetante (monocloramina) na rede de distribuição de água; ácido fluossilícico, substância que contém o íon fluoreto, que promove uma maior resistência dos dentes contra a formação de cáries”.

Mauro Banderali observa que “ há tecnologia para monitorar a qualidade da água, medindo os parâmetros e os elementos químicos presentes, como nitrato, amônia, fósforo, nitrogênio, etc”. Para essa função, a Ag Solve disponibiliza as sondas mutiparamétricas Aquaread,   que identificam temperatura, turbidez, oxigênio dissolvido mg/l, oxigênio dissolvido saturação, condutividade elétrica,  total de sólidos dissolvidos,  pH, , entre outros parâmetros. 

De acordo com Banderali, as sondas Aquaread tem a função de mensurar a qualidade da água em tempo real e o logger da Ag Solve (Ag Logger) permite o armazenamento e pré-tratamento do dado, validação e transmissão por celular, rádio ou satélite para um banco de dados para análise em tempo real ou futura. “Por meio dessa tecnologia, é possível avaliar qual tratamento deve ser aplicado para que a água tenha a potabilidade necessária para preservar a saúde da população”.

Papel do cidadão

Existem algumas situações em que o cidadão contribui diretamente para a contaminação de corpos d’água. De acordo com João Aparecido Edo, da SANASA, isso ocorre quando o cidadão descarta lixo em rios e lagos e até mesmo permite que sejam feitas ligações clandestinas de esgotos em sua residência. “Ligar o esgoto junto com o escoamento pluvial ainda é uma prática comum que, além de insegura para o próprio morador, contamina o meio ambiente”. Para ele, a grande contribuição do cidadão ainda é a educação e o exemplo para as novas gerações. “O respeito pelo meio ambiente, o descarte adequado de lixo e o uso racional da água são atitudes que podem criar uma consciência ambiental que fará diferença nos dirigentes, eleitores e gestores do futuro”, afirma Edo.

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