Cadastre-se ou faça login     Youtube LinkedIn Twitter Facebook Instagram

Notícias > Destino, ecoturismo

Publicado em 16/01/2008
Férias são aqueles dias do ano tão esperados por todos, para relaxar e curtir os bons momentos junto com a família. O destino da viagem, quase sempre, é algum roteiro comercial. Mas o que você acha de inovar nestas férias e adotar uma maneira muito diferente de descansar e conhecer mais sobre a fauna e a flora do nosso país?
 
Se a idéia lhe pareceu boa, o seu próximo destino é o “ecoturismo”, uma prática pouco conhecida e divulgada, mas que segundo a bióloga, ecologista e mestre em Ciência Ambiental pela USP, Célia Regina Russo, não é nova no Brasil. “Desde a década de 1970, se verificou nos grandes centros urbanos, uma geração de universitários e intelectuais engajada no ativismo ideológico, fortemente motivados pela defesa das questões ambientais. Parte daquela geração iniciou novas experiências em busca do lazer e de aventuras no seu próprio entorno regional, como decorrência natural da necessidade do ser humano retornar ao contato com as populações tradicionais e com o meio ambiente, proporcionando experiências autênticas, ausentes no cotidiano urbanizado. Todavia, foi na década de 90, após a Conferência Rio 92, que o ecoturismo consolidou-se no país, como um mercado em franca expansão, favorecendo um grande número de agências e operadoras especializadas. Do mesmo modo, ampliaram-se os pólos de demanda ecoturística, principalmente no Sudeste e Sul. Além disso, o mercado ecoturístico voltado para turistas internacionais também ganhou força, motivados pelos destinos ecológicos como a Amazônia, o Pantanal, algumas regiões de Floresta Atlântica e Foz do Iguaçu”.
 
De acordo com a bióloga, o ecoturismo é de grande importância para o Brasil, já que detendo vasta biodiversidade em seu território, o potencial de geração de renda e emprego é enorme, principalmente para as comunidades do entorno das destinações ecoturísticas, podendo servir como motivação da cidadania e consolidação das raízes culturais no mais amplo sentido. Mas ela alerta, “se mal planejado, o ecoturismo repete os mesmos erros cometidos pelo turismo de massa, com o agravante de pretender-se imbuído de um contato estreito entre turistas e destinação turística, cuja abrangência envolve os residentes, naturais do lugar. No contexto atual em que o meio ambiente vem assumindo cada vez maior importância na venda de um produto turístico, deve-se avaliar que uma razoável parcela da propaganda concentra-se em propostas alternativas de excursionismo e de turismo que podem receber várias denominações, tais como turismo verde, turismo de aventura, turismo ecológico, ou ecoturismo, com desdobramentos criativos como é o caso de “turismo selvagem” entre outros neologismos”.
 
Ela explica que a banalização do ecoturismo não só pode degradar locais intocados, como também atrair falsas ilusões. “As idéias de ‘paraíso’, aliadas ao lucro rápido, consolidadas nas sociedades urbanas se constituem no maior impedimento e danos ambientais. Exemplo disto são as Ilhas Galápagos, ou Arquipélago de Colombo como também são conhecidas, no Equador, que se constituem como meta desejada por milhares de turistas e visitantes, ávidos pela observação de ecossistemas, mais intocados possíveis. Se é verdade que ali visitam milhares de turistas a cada ano - 60 mil pessoas, só em 1996 -, também é certo que ali vivem umas 15 mil pessoas, residentes que participam marginalmente no negócio turístico das ilhas. O movimento econômico gerado por essa massa de visitantes é calculado em 60 milhões de dólares por ano, enquanto que as ilhas devem suportar a cada ano, um número maior de migrantes pobres provenientes do Equador continental”, afirma Célia.
 
O programa de ecoturismo no Brasil
 
Em 1991, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), juntamente com o recém criado Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), lançaram a primeira versão do Programa de Ecoturismo. No mesmo ano, foi apresentada a versão preliminar do Manual Operacional de Ecoturismo, contendo regras de atuação e normas de adequação quanto aos princípios éticos e conservacionistas que começavam a ser aplicados nos conceitos e definições desta atividade. Publicado em 1994, tal manual define: “(...) ecoturismo é o turismo praticado em localidades de potencial ecológico, da forma conservacionista, procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente, harmonizando as ações com a natureza, bem como oferecer aos turistas um contato íntimo com os recursos naturais e culturais da região, deve buscar a consciência ecológica”. Para a bióloga, o grande diferencial desta prática está na formação das equipes que conduzem os grupos. “Tal formação deve abranger o conhecimento da legislação concernente à área. Assim, na Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA - Lei Federal 9795/99) a palavra ecoturismo procura definir o ensejo do contato com a natureza e o lazer”. Além disso, ela explica que a conduta do ecoturista deve observar as disposições do Plano de Manejo da Unidade de Conservação visitada. “Portanto, conhecer o que se espera do visitante em cada unidade de conservação e quais são as regras mínimas de boa convivência, é dever do visitante, como também dos líderes que conduzem os grupos. Cabe lembrar que, em um plano de manejo estão contidas as regras fundamentais e as áreas definidas pelo zoneamento ecológico que aceitam a presença humana. A partir disto, só posso desejar boa viagem!”.

Precisa de ajuda para escolher a melhor solução para sua aplicação?

Nossos especialistas podem ajudá-lo. Entre em contato.

Fale Conosco