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Notícias > Região ignora 70% das áreas infectadas

Publicado em 12/04/2011

Mais de 70% das 260 áreas contaminadas no Grande ABC permanecem sem qualquer tipo de ação para reverter o impacto ambiental. Nas sete cidades, 189 terrenos estão infectados com algum tipo de agente químico. O restante passa por alguma ação de acompanhamento ou processo de descontaminação. Apenas sete já não apresentam perigo à população. Os dados são de 2009, divulgados pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que não sabe quando deve apresentar novo relatório de áreas contaminadas.

A maioria dos terrenos contaminados é de postos de combustível. Agentes químicos dispersados pelos combustíveis são prejudiciais à saúde.

"Produtos químicos podem atingir o lençol freático com o passar do tempo, e a descontaminação é um processo que pode levar até cinco anos", comentou o presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy. "O problema é que não existe no Grande ABC vontade política para remediar essas áreas", acrescentou.

Locais como o Condomínio Barão de Mauá e área da antiga Indústrias Matarazzo, em São Caetano, são os pontos contaminados mais conhecidos na região. "A população desconhece outros locais, como os postos de abastecimento. Os poluentes podem infectar as pessoas através do ar ou pela infiltração em encanamentos de água", explicou o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Fundação Santo André, Murilo Andrade Valle. "Muitos postos estão fechados, mas a contaminação não foi remediada. É um processo caro, podendo custar mais de R$ 100 mil", alertou o docente.

A camada do solo contaminada é denominada pluma. Nos postos de combustível com vazamentos, essa região pode aumentar e atingir terrenos vizinhos ao empreendimento. "A água da chuva é o fator que estimula o crescimento da pluma. Assim, a área contaminada fica maior ao longo dos anos, e o perigo é para quem mora próximo a esses terrenos", alertou o geólogo e professor da Universidade Metodista Nestor Kenji Yoshikawa. "Os agentes químicos se infiltram em lençóis e poços artesianos, prejudicando seriamente a saúde dos moradores", comentou.

Para ele, apenas a pressão de prefeituras e Cetesb pode diminuir a incidência de vazamentos em postos. "Hoje já existe tecnologia voltada para bombas e tanques reservatórios, o problema são os empreendimentos antigos, que não possuem esses sistemas", disse o professor, que também é responsável pelo Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

A Prefeitura de Santo André informou ontem que o terreno oferecido ao Estado para construir um Poupatempo não está contaminado.

O imóvel, localizado na Avenida Antônio Cardoso, pertencia à Rhodia Química e foi considerado contaminado pela Cetesb. Porém, a Prefeitura explicou que a porção adquirida está livre de agentes contaminantes. O imóvel tem mais de 100 mil metros quadrados, segundo a administração. A porção para o Poupatempo ocupa 8.000 metros quadrados.

 Solo prejudicado por posto pode provocar leucemia

A contaminação por hidrocarbonetos liberados por tanques reservatórios de combustíveis pode provocar câncer e problemas intestinais. O alerta vem do toxicologista do Hospital das Clinicas Anthony Wong, que recentemente colheu amostras de sangue de vizinhos de postos de combustível no Ipiranga. "A análise mostrou que as pessoas apresentavam alterações nos rins, fígado e medula óssea", informou.

O médico afirma que pessoas que vivem próximas a postos onde o terreno está contaminado podem desenvolver doenças mais graves com o passar dos anos. "O tempo depende de cada organismo. Mas grande parte dessa população corre risco de sofrer leucemia, tumores diversos, além de danos ao cérebro", disse o toxicologista.

Muitas pessoas podem demorar para perceber a evolução das doenças, conforme salientou Wong. "Os sintomas principais de uma pessoa contaminada pelos hidrocarbonetos são fraqueza, indisposição e baixo metabolismo."

Os químicos dissolvidos no solo em caso de vazamento fazem parte do grupo BTX (Benzeno, Tolueno, Xileno), que são voláteis. "A contaminação pode ser pela respiração ou ingestão de água. Os agentes podem atingir poços artesianos e encanamento de água, uma vez que são dispersos no solo", explicou. "O poder público tem obrigação de descontaminar ou forçar a limpeza desses terrenos, pois trata-se de uma questão de saúde pública."

Fonte: Diário do Grande ABC

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