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Notícias > O impacto das algas no tratamento de água para abastecimento urbano

Publicado em 22/03/2011

A crescente eutrofização dos ambientes aquáticos é consequência de atividades humanas, o que causa um enriquecimento artificial dos ecossistemas e pode colocar em risco o uso dos recursos hídricos


A poluição nas represas, seja por esgotos domésticos ou por fertilizantes usados na agricultura, garante o aporte de nutrientes para as águas. E por se tratarem de locais onde há retenção da água por longos períodos, existe um maior acúmulo de poluentes e um aumento considerável da biomassa levando ao crescimento das algas.   Classificados como organismos autótrofos, as algas são capazes de sintetizar seu próprio alimento e para isso necessitam de apenas alguns nutrientes inorgânicos como nitrogênio, fósforo e potássio, além de grande área de incidência da luz solar. De acordo com Daniel Brooke Peig, engenheiro ambiental especializado em processos para tratamento da água e efluentes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), “as tecnologias de tratamento de efluentes convencionalmente utilizadas não são capazes de remover nutrientes como fósforo, uma vez que foram concebidas para o lançamento da água tratada em rios e não em reservatórios”.  Ele explica que “ao contrário dos rios, os reservatórios acabam funcionando como um sistema fechado de recirculação de poluentes. Como a água não é renovada com a mesma rapidez do aporte de poluentes, a concentração dos nutrientes aumenta mais, ocasionando um crescimento maior de algas”.

Algumas algas podem produzir toxinas que  levam à morte peixes,algumas aves,  mamíferos e o homem que utiliza a água onde as cianofíceas, um tipo de bactéria, estão instaladas. Nos humanos, tais toxinas podem causar reações alérgicas em pessoas sensíveis e provocar distúrbios gastrointestinais, respiratórios e neurológicos.

Peig afirma que “devido a grande produção de toxinas pelas cianofíceas ocorrem alterações no sabor, no odor e na cor da água, o que multiplica os custos de seu tratamento em função da demanda de produtos químicos utilizados. Os subprodutos da cloração, utilizados no tratamento são reconhecidamente cancerígenos. As algas podem ser identificadas através da contagem em microscópios e por outros equipamentos, como sensores óticos (fluorômetros), capazes de realizar esta quantificação eletronicamente. Peig explica que os equipamentos fazem “uma fotografia microscópica de um determinado volume de água, que alimenta um software de computador, e identifica e conta as células presentes”.

Como indica a portaria de número 518, do Ministério da Saúde, o monitoramento das cianobactérias na água do manancial deve ser mensal, quando o número exceder 10.000 células/ml, e semanal, quando ultrapassar esta quantidade.  A partir desta concentração de algas no reservatório, a legislação brasileira oferece restrições ao tratamento da água e ao seu abastecimento público.

Daniel Brooke Peig acredita que os grandes centros urbanos podem minimizar a proliferação das cianobactérias tomando providências para que os esgotos, tratados ou não, não cheguem ao reservatório, evitando assim o aporte de nutrientes. Para ele, “proteger o entorno dos reservatórios também é importante”.

 

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