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Notícias > Descarte incorreto de remédios contamina as águas

Publicado em 17/11/2010

A contaminação da água por remédios é um tema pouco divulgado, mas bastante preocupante na sociedade atual, já que acarreta ônus à natureza e à saúde da população. Segundo especialistas, os remédios possuem componentes químicos persistentes que, se não forem tratados, retornam por meio da água.

 

Nos últimos anos, diversos trabalhos científicos relatando a presença de fármacos ou seus subprodutos em rios, lagos e águas subterrâneas, inclusive em águas já tratadas e destinadas ao consumo humano, foram publicados. Os estudos demonstram que grande parte das substâncias presentes nos remédios poluem o meio ambiente, como lençóis freáticos, rios e solos, além de não serem totalmente removidas pelas estações de tratamento de água e/ou esgoto.

 

Em 2006, a química Gislaine Ghiselli, orientada pelo professor Wilson Jardim, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentou uma tese mostrando o comportamento dos componentes na água. A química fez análises durante cinco anos e constatou a presença de princípios ativos de diversos medicamentos na água de rios e também na das torneiras, na região de Campinas (SP). Foram encontrados anti-inflamatórios, analgésicos, além de hormônios e outros compostos. Já nos Estados Unidos, um levantamento divulgado pela agência de notícias Associated Press, feito em 2008, revelou que em 24 regiões metropolitanas americanas, a água chega às casas com traços de antibióticos, psicotrópicos e hormônios sexuais, entre outros. E é por conta de todas estas características, que os medicamentos não podem ser jogados em lixo comum, e sim destinados devidamente

 

Legislação

 

Atualmente, no Brasil, é muito difícil encontrar postos de recolhimento de remédios vencidos ou não, mesmo nas grandes cidades. Algumas farmácias se colocaram à disposição para receber este material, mas ainda são poucas as que aceitam. É preciso fazer uma busca nos estabelecimentos das cidades para saber quais oferecem o serviço.

 

A legislação prevê que drogarias, farmácias de manipulação e distribuidores de produtos farmacêuticos, bem como clínicas e hospitais, têm somente a obrigação de gerir seus próprios resíduos de modo a minimizar os impactos ao meio ambiente e à saúde pública (normas da Anvisa e do Conama). Porém, não estão obrigadas a recolherem o que sobra dos produtos que vendem.

 

De acordo com a regulamentação, são indicados como procedimentos a serem utilizados para o descarte: a disposição do material em aterros sanitários ou sua incineração. Porém há a alegação que a incineração dos fármacos, além de gerar gás carbônico, pode liberar metais pesados e outros agentes químicos na atmosfera. Mesmo assim, ainda continua sendo a melhor opção, segundo os especialistas.

 

Outras saídas

 

Uma das poucas formas existentes para evitar o descarte é o encaminhamento dos remédios que ainda não estão vencidos e sobraram em casa para instituições que recebem, verificam a qualidade e repassam para uso de outras pessoas. Um deles é o Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM/USP), que incentiva a devolução de medicamentos não consumidos. Após testes, aqueles que não têm condições de uso, são descartados conforme regulamentação para resíduos químicos, sendo acondicionados em um saco laranja e coletores apropriados, levados para incineração.

 

Desde 2007, a ONG Idepac e o Rotary Club de São Paulo também atuam recebendo medicamentos que não estão vencidos para repassá-los a quem necessita. Os medicamentos são cedidos somente para entidades, como asilos, creches, associações de moradores e outras instituições que possuam médico ou farmacêutico responsável. Para contribuir, basta entregar os medicamentos na própria Fundação Idepac ou nos Rotary Clubs da cidade. Informações sobre o projeto podem ser obtidas por meio do site: www.campanhadosremedios.com.br

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