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Notícias > Meteorologia: Ciência e Profissão do futuro

Publicado em 22/10/2007

 

As mudanças climáticas e equipamentos de alta tecnologia estão destacando cada vez mais o trabalho destes profissionais na sociedade

 

As mudanças climáticas são uma realidade no mundo todo. Fenômenos adversos causados pelo aquecimento global, como o derretimento das geleiras nos Pólos, o aumento do nível médio do mar, as temporadas de furações e tornados intensos nos Estados Unidos, as ondas de calor na Europa, as monções na Índia, os períodos de seca extrema e chuvas torrenciais no Brasil, entre muitos outros acontecimentos, comprovam que as conseqüências do desenvolvimento capitalista desenfreado nas últimas décadas já começaram.

 

O assunto está em pauta nas manchetes dos principais veículos de comunicação, e até mesmo, em filmes e documentários, como em “Um dia depois de amanhã” e “Uma verdade inconveniente”, do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. A instabilidade do clima e os fenômenos adversos da natureza têm feito com que cada vez mais pessoas busquem informações sobre meteorologia e utilizem a previsão do tempo como antecipação e prevenção contra as freqüentes catástrofes e as variações abruptas de temperatura. Segundo a meteorologista e pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (Cepagri) da Unicamp, Ana Maria Heuminski de Avila, a grande questão para este novo olhar sobre a ciência da meteorologia é o “risco de perda”.

 

Para ela, a meteorologia tem tido como função primordial, minimizar os riscos de perda, antecipando as possibilidades de que o pior aconteça, como instrumento de mitigar os efeitos dos fenômenos adversos, localizar o problema e preservar a vida. “Com as mudanças climáticas, as pessoas têm procurado mais informação e tido maior interesse no assunto, pois o risco de perda aumentou muito. Atualmente, há a preocupação de se fazer um planejamento tanto para um plantio ou para uma confecção de malharia, quanto para dar uma festa ou ir a praia. A necessidade de adaptação à adversidade é inevitável”, afirma Ana Maria.

 

O professor do Curso Técnico de Meteorologia do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET-SC), Mário Francisco Leal de Quadro diz que a difusão do uso e interesse pela meteorologia na sociedade já é visível. “Hoje em dia, praticamente todos os meios de comunicação já divulgam a previsão de tempo e clima para o público, e setores específicos da sociedade, como empresas de geração e distribuição de energia, instituições de gestão e pesquisa agropecuária, concessionárias de serviços públicos e sistemas públicos de defesa civil dependem diretamente de informações meteorológicas atualizadas e constantes para suas atividades”, diz ele.

 

A necessidade de informações meteorológicas rápidas e localizadas, conjuntamente com os riscos por conta do acirramento das adversidades no clima, também tem feito com que muitas empresas e agronegócios precisem do auxílio destes profissionais e da instalação de estações meteorológicas próprias para o estudo da climatologia na área desejada, bem como, a verificação da temperatura, umidade, velocidade do vento, pressão atmosférica, entre outras variáveis. Segundo o meteorologista e técnico da empresa de monitoramento ambiental Ag Solve, que trabalha com estações climáticas para empresas, Igor Giovelli, “a implantação de estações particulares são fundamentais e necessárias para todos que precisam obter uma previsão meteorológica diferenciada e a análise climatológica em uma determinada região”.

 

A estação mais indicada para aqueles que precisam e dependem do monitoramento climático é a automática, de acordo com o técnico da Ag Solve. “É uma estação totalmente autônoma e não precisa de energia elétrica, pois possui uma placa solar que gera energia para carregar continuamente a bateria. Os dados são coletados tanto à noite – por meio da bateria -, quanto de dia – com a utilização do painel solar. Nela há um datalogger, que é o processador - cérebro da estação -, que alimenta com energia os sensores ligados a ele, para ler e armazenar os dados. Estes dados são repassados por diversas vias, como celular, fibra óptica, ethernet, satélite, rádio, cabo serial e short hall modem” explica.

Giovelli alerta que “as estações caseiras ou inferiores não medem as variáveis do clima, além disso, muitas vezes não têm um sensor bom e o material é de pouca durabilidade. A estação automática é vantajosa pela facilidade de comunicação, pela grande capacidade para armazenamento de dados, por ser independente e não gastar energia”.

 

 

CREDIBILIDADE E TECNOLOGIA

 

A meteorologia é uma ciência que vem ganhando cada vez mais notoriedade e credibilidade, não só pela necessidade do uso das informações no dia-a-dia, como também pelo aumento no índice de acerto das previsões. A precisão das informações pode ser atribuída em boa parte ao grande avanço da tecnologia dos equipamentos existentes.

 

“Já é evidente uma maior confiabilidade da sociedade por conta da qualidade dos dados coletados. Nos últimos 15 anos, os índices de acerto têm sido bem maiores, graças à melhoria do conhecimento, dos equipamentos e da tecnologia disponível, como novos modelos matemáticos, softwares avançados, internet, etc”, avalia a pesquisadora da Unicamp.  “Uma boa previsão e uma análise adequada do tempo ou da climatologia de uma determinada área só são possíveis por meio de equipamentos que tenham excelente qualidade, forneçam dados confiáveis e precisos para o técnico”, complementa o técnico em meteorologia da Ag Solve.

 

Segundo o professor da CEFET-SC, os meteorologistas dependem muito de bons equipamentos para a realização dos trabalhos e estudos, e conhecer todos os recursos disponíveis na área é fundamental. “Dependemos bastante do monitoramento de variáveis ambientais, que nos auxiliam em nossas atividades. Estações meteorológicas de superfície e altitude, radares, satélites são ferramentas fundamentais para o meteorologista. Nosso curso tem um módulo específico só sobre instrumentação meteorológica”.

 

 

DADOS NO BRASIL

 

Para a pesquisadora da Unicamp, Ana Maria Heuminski de Ávila, o que o Brasil ainda precisa melhorar em relação à meteorologia é a sua fonte de dados - com modelos de melhor qualidade que simulam cenários futuros -, e avançar na obtenção de informações por meio de satélites meteorológicos. “As informações destes dois recursos são de extrema importância para o futuro e para as pesquisas desenvolvidas na área”. Segundo ela, um problema grave é que o país tem uma grande falha na quantidade de dados disponíveis. “Não há um histórico com séries longas de registros confiáveis para análise, e por termos um país com dimensão continental e uma extensa costa litorânea há grande necessidade de muitos pontos de medição, devido à alta demanda por informações específicas de cada região e também atualização constante dos dados, o que é um grande desafio. Mas vale ressaltar que o Brasil não perde em tecnologia e em informações para os principais países desenvolvidos no mundo, como EUA e Inglaterra, e sim, compete com o que há de melhor”.

 

 

UMA PROFISSÃO EM ASCENSÃO

 

O meteorologista tem um amplo mercado de trabalho pela frente, principalmente, quando especializados em outras áreas de atuação, como agronomia, geologia, oceanografia, engenharia florestal, entre outras. E já está claro também que, com as mudanças climáticas, cada vez mais todos vão depender deste profissional para a realização de qualquer projeto ou trabalho: seja para grandes obras ou plantio, seja no dia-a-dia, para viajar ou fazer um churrasco.

 

“Hoje em dia buscamos uma relação interdisciplinar com outras profissões que trabalham principalmente com o meio ambiente, que vem sido bastante afetado com as mudanças climáticas”, afirma o professor Mário Francisco Leal de Quadro da CEFET-SC. O meteorologista e técnico da Ag Solve, Igor Giovelli, acredita que, tem tido mais destaque os profissionais que trabalham com a meteorologia ligada às demais ciências que estudam a natureza, englobando os fenômenos do céu, da terra e do mar . “Os cientistas e profissionais que atuam nestas áreas se enquadram dentro de um perfil profissional que, certamente, está em expansão”, diz Giovelli. “Todo profissional precisa se aprimorar e nessa área é imprescindível gostar de química e matemática. A meteorologia é uma área muito ligada a outras, já que o trabalho todo só é possível se realizado em conjunto”, completa a pesquisadora da Unicamp, Ana Maria.

 

Segundo o professor Quadro, “pelo tamanho do Brasil, são poucos profissionais formados que atuam na área, portanto, a Meteorologia é um mercado em expansão. Na nossa página da internet, constantemente recebemos muitos e-mails perguntando o que se estuda no curso, e como faz para ingressar”.

 

Entre as principais matérias estudadas estão Climatologia; Princípios de astronomia e geodésia; Física da atmosfera; Princípios de meteorologia sinótica e dinâmica; Técnicas de observação e codificação meteorológica; Instrumentação meteorológica; Estações convencionais e automáticas; Princípios de sistemas de monitoramento remoto; Aplicativos computacionais para meteorologia; Sistemas de bancos de dados; Lógica de programação.

 

 

Links para mais informações sobre a carreira de meteorologista:

 

http://www.cefetsc.edu.br/~meteoro/

 

http://pc16.lacesm.ufsm.br/meteorologia/

 

http://www.inpe.br/pos_graduacao/cursos/meteorologia/index.php 

 

Links para mais informações sobre mudanças climáticas:

 

http://www.cptec.inpe.br/mudancas_climaticas

 

http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/entenda

 

http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1126_clima/index.shtml

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