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Notícias > Mercado demanda produtos sustentáveis

Publicado em 18/09/2007

"Antigamente usávamos latões e latas de lixo para dispor o mesmo para a coleta; hoje, isso é raro. Falta uma política de Educação Ambiental para evitar o desperdício, a geração excessiva de resíduos e até mesmo a priorização do consumo sustentável." O alerta é do professor da Unitoledo de Araçatuba e da Faculdade Metodista de Birigui, Marçal Rogério Rizzo,  doutorando em Dinâmica e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). O panorama desenhado pelo professor não é nada otimista: "No mundo, joga-se fora 1 milhão de sacos e/ou sacolas plásticas por minuto. Se multiplicarmos isso pelo total de minutos do dia, teremos um número assustador."

 

Para o professor, a praticidade e agilidade tanto valorizadas nos anos 2000, que popularizaram os descartáveis, precisam ser repensadas pelas empresas e pelos consumidores. "Antigamente não tínhamos essa praticidade e vivíamos muito bem. Isso é bom somente para as empresas, mas não para a coletividade. Eu costumo evitar esta praticidade, pois isso não é sustentável."

No entanto, proibir de maneira brusca a utilização de sacolas plásticas impactaria na geração de empregos, renda e impostos. "Muitas empresas que produzem esse material iriam falir, mas não podemos ficar reféns de um setor que não se enquadra ao meio ambiente. O que tem que ser feito é criar uma lei aliada a um mecanismo e um planejamento para que estas empresas mudem de setor. Poderíamos utilizar outras formas de embalagem, como, por exemplo, um saquinho de papel, como é feito nas farmácias. Agora em compras maiores, o ideal é que cada um leve a sua sacola retornável", sugere o professor.

 

Retornável

 

Sacolas retornáveis são bastante comuns em países europeus. No Brasil, a rede Pão de Açúcar possui, desde 2005, sacolas retornáveis. A iniciativa começou levando em conta a preservação do meio ambiente. Parte da renda da sacola será revertida para a Fundação SOS Mata Atlântica. Para a diretora de Responsabilidade Sócio-Ambiental do Grupo Pão de Açúcar, Rosangela Bacima, "ao utilizar a sacola em suas compras, nosso consumidor  amplia o conceito de compra inteligente aliada à praticidade. Ao mesmo tempo contribui para a  preservação de nossos recursos naturais, reduzindo o impacto ambiental das embalagens plásticas".

As sacolas, conhecidas como "vai-e-vem", têm estampas de espécies ameaçadas de extinção da fauna brasileira. São cinco modelos: tucano, mico-leão-dourado, onça-pintada, arara azul e lobo-guará. Além desse produto, a Rede desenvolve outras ações voltadas ao meio ambiente, como as Estações de Reciclagem Pão de Açúcar-Unilever, que já arrecadaram mais de 18 mil toneladas de materiais recicláveis. Esses projetos estão ligados ao programa "As oito metas do milênio", liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Plástico fotodegradável

 

Para o pesquisador do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, Ralf Giesse, as empresas ainda não possuem sensibilidade para com o meio ambiente, por isso, investem pouco em ações que podem ajudá-lo. O pesquisador, em conjunto com o professor do IQ, Marco Aurélio de Paoli, desenvolveu um plástico fotodegradável. Segundo Giesse, o produto funciona através da reação da luz solar em um polímero com baixa densidade. "Esse polímero é amorfo (não possui forma definida) e irregular. Entre suas moléculas de carbono há um espaço onde alojamos um segundo componente, que é energizado pelos raios ultravioletas emitidos pelo sol. Essa energia se propaga para as ligações de carbono, que começam a se quebrar, numa reação em cadeia. Com esse processo, o plástico começa a se tornar amarelado e quebradiço, ficando mais atraente para os microorganismos, que farão sua decomposição de maneira mais rápida". Os biodegradáveis utilizam materiais naturais em sua composição, para se tornarem mais atrativos. Já, os plásticos regulares possuem cadeias de carbono muito extensas e, por isso, os menos preferidos desses seres.

Giesse destaca que o produto possui diversas aplicações na indústria. "Ele pode ser usado para fazer embalagens e sacolas, pois permite a impressão de cores e logotipos", explica. A produção exige um investimento apenas inicial 10% maior em relação ao plástico comum. A fabricação ocorre da seguinte maneira: "O plástico ainda em forma de lençol é mergulhado em uma solução fotossensível. Depois, passa por secagem e lâmpadas ultravioletas, que irão maturar o componente extra". O plástico resultante é ainda bastante transparente. O pesquisador ressalta que lâmpadas comuns não causam nenhuma reação no produto.

A descoberta dos pesquisadores do IQ foi realizada em 1987 e passou por um processo de aperfeiçoamento até 2002. A patente está registrada, pela Unicamp, no Instituto de Propriedade Intelectual Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Atualmente, está pronta para ser desenvolvida em larga escala.

Para maiores informações sobre o plástico fotodegradável, contate o pesquisador Ralf Giesse pelo e-mail: ralf@cotuca.unicamp.br ou Marco Antonio de Paoli, pelo email: mdepaoli@iqm.unicamp.br.

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