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Notícias > Queimadas precisam de cuidados para não se tornar incêndios

Publicado em 18/09/2007

"O fogo na agricultura é uma prática agrícola dos nossos ancestrais e ainda é muito comum como ferramenta no campo", informa a pesquisadora Adriana Vieira de Camargo de Moraes, da Embrapa Monitoramento por Satélite. A técnica é usada em sistemas de produção altamente intensificados, como a cana-de-açúcar e o algodão. No entanto, o fogo em áreas florestais prejudica a fauna e a flora.

"Se de um lado a queimada facilita a vida de parte dos agricultores, trazendo benefícios a curto prazo, de outro, ela afeta negativamente a biodiversidade, a dinâmica dos ecossistemas. Como efeito direto, a queimada aumenta o processo de erosão do solo e deteriora a qualidade do ar", explica a pesquisadora. Ao escapar de controle, as queimadas podem provocar danos ao patrimônio público e privado (cercas, linhas de transmissão e de telefonia, construções, florestas, etc.). "O fogo, tanto para fins agrícolas como florestais, altera a química da atmosfera e influi negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito estufa como no tema do ozônio", destaca Adriana.

Para a pesquisadora, as estatísticas seriam menores se algumas condutas fossem adotadas. Por exemplo, existem normas para queimada controlada que precisam ser respeitadas. Além disso, os cidadãos conscientes podem contribuir, deixando de jogar pontas de cigarro acesas nas margens das estradas, apagando restos de fogo em acampamentos e tendo maiores cuidados ao lidar com o fogo. "Na agricultura, a redução das queimadas depende basicamente da oferta de alternativas tecnológicas, que substituam seu uso", ressalta Adriana.

As maiores incidências de fogo acontecem quando a umidade do ar está relativamente baixa, entre junho e novembro. Para a população, em geral, o incômodo é grande, pois, aliados ao aumento das partículas lançadas ao ar pelas queimadas, os problemas respiratórios não demoram a aparecer, principalmente em crianças e idosos.

 

Controle

 

"Queimar é o sistema mais barato para limpar uma área, por isso é a solução mais adotada, mas não precisa se tornar incêndio. Incêndio é sem controle", afirma Adriana. "A prática do fogo só pode ser realizada com autorização do órgão competente, como o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e em áreas definidas, com isolamento prévio, com a finalidade de prevenir a passagem do fogo", informa a pesquisadora.

O Ibama também distribui material educativo sobre as queimadas em regiões onde essa prática é usual. "Em situações especiais, o Ibama pode proibir as queimadas, o que não impede que elas ocorram de forma ilegal, provocando incêndios florestais. Os infratores estarão sujeitos às penas previstas nos artigos 14 e 15 da Lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem chegar à prisão e multas", ressalta a pesquisadora.

Para a tecnóloga em gestão ambiental da Ag Solve, Jaqueline Sandino Evangelista, "somente com a previsão meteorológica se obtém uma noção de quando pode ou não haver queimada. O uso de uma Estação Meteorológica, na propriedade, permite analisar o que está acontecendo no momento, pois através dos dados coletados o produtor calcula se o fogo se alastrará rapidamente e se o clima favorece um incêndio em proporções maiores". Outro recurso que pode ser utilizado pelo produto, segundo Jaqueline, é a irrigação. "Dependendo da agricultura e proporção do fogo, a irrigação pode retardar um possível incêndio", explica.

De acordo com a Adriana, há 15 anos, a Embrapa Monitoramento por Satélite realiza o acompanhamento das queimadas no Brasil por meio do sistema de sensoriamento remoto. "No caso da detecção de queimadas, são captados pontos da superfície que tenham temperatura elevada (acima de 300ºC), indicativos da presença de fogo. Os dados do satélite são captados no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e repassados para a Embrapa, que faz um trabalho de espacialização, além de outras aplicações voltadas para a questão agropecuária. Todos os dados são disponibilizados na internet durante o período seco e podem ser utilizados por outras instituições de pesquisa, além de órgãos fiscalizadores."

 

Dica!

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui os Dez Mandamentos da Queimada Controlada, voltados para a prática na agricultura. Para se queimar com racionalidade, é preciso segui-lo.

 

1- Obter autorização do Ibama para queima controlada. Documentos necessários: a) comprovante de propriedade ou de justa posse do imóvel onde se realizará a queima; b) cópia da autorização de desmatamento quando legalmente exigida; c) comunicação de queima controlada.

 

2- Reunir e mobilizar os vizinhos para fazer queimada controlada e em mutirão, de maneira que um possa ajudar o outro. Assim, o calor será menor e o solo será menos impactado com a temperatura.

 

3- Evitar queimar grandes áreas de uma só vez, pois as distâncias dificultam o controle do fogo.

 

4- Fazer aceiros, observando as características do terreno e altura da vegetação. Em terreno inclinado, o fogo se alastra mais rapidamente, devendo-se construir valas na parte mais baixa para evitar que o material em brasa saia da área queimada. A largura dos aceiros deve ser 2,5 vezes a altura da vegetação em regiões de pastagens e/ou Cerrado ou, no mínimo, 3 metros, para o caso de queima controlada.

 

5- Limpar completamente o aceiro, sem deixar restos de folhas ou paus, de qualquer natureza, no meio da faixa.

 

6- Prestar atenção à força e direção do vento, à umidade e às chuvas. Só queimar quando o vento estiver fraco. Nunca comece um fogo na direção contrária dos ventos. Inicie no sentido dos ventos. Se a queima for realizada após as primeiras chuvas, é possível evitar o risco do fogo escapar e evitar os danos causados pelo acúmulo de fumaça no ar.

 

7- Queimar em hora fria. No início da manhã, no final da tarde, ou à noitinha, é mais seguro, pois a temperatura é mais baixa e a vegetação está mais úmida.

 

8- Nunca deixe árvores altas, sem serem cortadas, no meio da área a ser queimada. Elas demorarão a queimar, permitindo que o vento jogue fagulhas à distância, provocando incêndios em áreas vizinhas, sobretudo, se forem pastagens.

 

9- Permaneça na área da queimada, após o fogo, pelo menos, por duas horas, a fim de verificar se não haverá pequenos focos de incêndio, na vizinhança, provocados pelos ventos.

 

10 -Tenha sempre disponível, para ser utilizado, em caso de ter de controlar o fogo, o seguinte material: a) enxada; b) abafador; c) foice; d) bomba costal; e) baldes com água.

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