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Notícias > Coleta seletiva e monitoramento diminuem riscos do lixo

Publicado em 14/08/2007

           “Restos de alimentos, embalagens descartadas, objetos velhos, estragados são jogados na ‘lata de lixo’. Sobras significam, geralmente, algo desprezível, o lixo do qual queremos nos livrar. Lixo é responsabilidade da Prefeitura, que deverá levá-lo para bem longe e nos garantir a agradável sensação de limpeza e bem-estar. Esta forma de olhar e lidar com as sobras de nossas atividades cotidianas é resultado de uma visão de gestão de resíduos que trata todos os materiais inservíveis como lixo”, constata Elisabeth Grimberg, socióloga e coordenadora de Meio Ambiente Urbano do Instituto Polis, autora do artigo Abrindo os sacos de "lixo": um novo modelo de gestão de resíduos está em curso no país*. Enxergando uma nova forma de proteger o meio ambiente, um grande número de empresas públicas e privadas começa a investir em coleta seletiva e monitoramento. A coleta faz uso da máxima: nada se cria, tudo de transforma enquanto que monitorar permite o descarte seguro de resíduos orgânicos.

          As administrações públicas estão se conscientizando quanto à importância da coleta e do trabalho dos “catadores” de rua. “A coleta seletiva feita pelos catadores contribui para destinar materiais pós-consumo para o ‘re-ciclo’: para reutilização ou reciclagem. Hoje, eles são responsáveis por cerca de 30% dos materiais reciclados  no país”, salienta Elisabeth. “Para transformar a realidade em questão, é necessária vontade política por parte dos prefeitos bem como capacitação dos gestores municipais”. De acordo com a socióloga poucos municípios -- 10% do total -- destinam resíduos para aterros sanitários. Estes investem recursos consideráveis para enterrar matéria-prima. “Papel, vidros, plásticos e metais ao retornarem para a cadeia produtiva, para serem reciclados, reduzem gastos públicos, permitindo a aplicação dos recursos financeiros em áreas de maior relevância social, tais como educação e saúde”, explica.

Americana/SP é a única cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC) que realiza coleta seletiva em 100% do território - Campinas, por exemplo, coleta em 80% do município, aproximadamente. A iniciativa começou timidamente em 1994 e em 2000 foi ampliada. Preservação do meio ambiente, inclusão social e economia são os três pilares da coleta seletiva do município. De acordo com o diretor da Unidade de Limpeza Pública de Americana, Cláudio Fernando Rossetti, em cada bairro, uma vez por semana, três equipes percorrem a cidade, em caminhões, coletando o material reciclável separado pelos moradores. “O material coletado é dividido entre três cooperativas e duas instituições sociais. A renda gerada pela reciclagem é  deles próprios”, explica Rossetti.

 

 Monitorando o chorume

 

         Pesquisas no lixo bruto residencial de Americana contabilizaram 60% do resíduo gerado como orgânico, cujo destino são os aterros sanitários.  Sua degradação gera, entre outros componentes, o chorume - líquido de cor escura e odor nauseante, resultado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos. “A elevada carga orgânica e a presença de metais pesados de pilhas baterias e outras fontes  torna o chorume extremamente poluente e danoso às regiões atingidas. Ele pode, em alguns casos,  atingir o lençol freático”, explica Adriana Artoni, da Ag Solve. A coleta seletiva é uma forma de minimizar a quantidade de lixo enviada aos aterros e, conseqüentemente, a poluição gerada.

          Para evitar contaminações, é possível monitorar a infiltração do chorume produzido. “Neste caso, o equipamento Drive Point, tecnologia Direct Push da Solinst, pode ser utilizado”, recomenda Adriana. O aparelho permite a abertura de orifícios no solo por meio de uma ponteira em aço inoxidável, com uma mangueira em polietileno conectada internamente. Ele pode ser ‘cravado’ fora da área do aterro sanitário a profundidades de até 10 metros de profundidade. “O uso de um detector de VOC aspira os vapores do solo e uma bomba peristáltica remove líquidos em solos saturados”, completa Adriana.

O uso desses equipamentos permite obter amostragem de água e vapores, cujos dados poderão ser usados para determinar se existe contaminação no entorno do aterro sanitário.

 

Conscientização

 

Para a socióloga, são necessárias “mudanças em nossos valores e atitudes, tanto no ato de consumir, quanto no de descartar o que já foi utilizado e ‘não serve mais’”. “Não adianta atacar a ponta final do processo. O ‘X’ da questão está na forma de como consumir e gerar o resíduo”, concorda Rossetti.  Por isso, o DPL de Americana promoverá uma ação em parceria com a Unicamp visando esclarecer a população sobre o consumo consciente e o desperdício de alimentos.

As pesquisas de Americana nos lixos dos cidadãos também auxiliam a determinar o perfil sócio-econômico, cultural e o consumo de materiais reciclados pela população. Os dados permitem analisar onde é preciso fortalecer o conceito de coleta seletiva. “Constatamos que as classes A e B são as maiores consumidoras de descartáveis, sendo as que mais precisam participar da coleta seletiva. Enquanto as classes C e D são as mais participativas quanto à reciclagem”, conta Rossetti.

 “A coleta seletiva cresce por meio de uma campanha permanente de conscientização”, observa Rossetti. Atualmente, a cidade dispõe de 10 estagiários que vão de porta-em-porta, esclarecendo sobre a importância da mudança de atitude e cadastrando moradores para participarem da coleta seletiva semanal. Eles também ministram palestras sobre meio ambiente nas escolas de Ensino Básico e Fundamental. “Programas de mobilização e educação para a prática da cidadania podem trazer a compreensão dos benefícios ambientais envolvidos na proposta de um novo modelo de gestão”, salienta a socióloga.

Com a iniciativa, Americana retirou 15% do material reciclável dos aterros sanitários. A meta é chegar aos 30%. Atualmente, mais um programa pioneiro está em pauta na cidade. É a reciclagem de óleo de cozinha, transformando-o em Biodiesel. Os participantes da coleta seletiva já colaboram com a iniciativa. O combustível gerado, em parceria com a Escola Técnica Polivalente, alimenta os caminhões usados na coleta de lixo, devendo se estender a outros veículos, conforme for ampliado. “Num futuro próximo, Americana também recolherá pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes”, revela Rossetti.

 

 

 

* artigo publicado na íntegra no site do Instituto Polis (http://www.polis.org.br/artigo_interno.asp?codigo=176).

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