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Notícias > Água na medida certa

Publicado em 28/07/2008

Monitoramento evita erros e ajuda agricultor a ser preciso na hora de irrigar

 

A irrigação é uma atividade onerosa, tanto do ponto de vista econômico, quanto do social e ambiental. A afirmação é do engenheiro agrônomo e pesquisador Emilio Sakai, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Ecofisiologia e Biofísica do Instituto Agronômico (IAC). Por esta razão, segundo o pesquisador, ao iniciar uma agricultura irrigada é preciso conhecer os vários parâmetros da cultura, do solo e do ambiente, compreendendo a atuação da água no sistema solo-planta-atmosfera. “Sem esse conhecimento, você pode não estar atendendo às necessidades da planta na hora e no volume adequado para uma determinada cultura e solo, irrigando com falta ou excesso de água, ou ainda com intervalo entre irrigações muito próximo ou longo. Ou seja, pode não obter resultados favoráveis no aumento ou na garantia da produção. Por outro lado, pode até aumentar o custo da irrigação com gastos extras de energia, mão de obra, insumos, etc. Sakai chama a atenção também para os prejuízos decorrentes do excesso de irrigação. “O excesso pode provocar a lixiviação do solo carregando nutrientes para os corpos d’água, provocando a eutrofização de represas, lagos, rios, além de empobrecer o terreno.”

 

Para conhecer todas as variáveis do solo e do clima em determinada região, cultura e época do ano, é necessário o monitoramento do sistema. “O monitoramento evita erros e facilita o uso da água na medida certa, na hora de irrigar”, observa Mauro Banderali, diretor da Ag Solve, empresa especializada em monitoramento ambiental e agrícola. De acordo com ele, os equipamentos disponíveis no mercado para este acompanhamento informam com precisão as condições de campo, medindo a umidade do solo, as condições de clima, a precipitação e o molhamento foliar. Eles alertam também sobre a incidência de doenças de plantas e a presença de insetos; avisam sobre graus dia, horas frio e temperatura.

 

Em entrevista exclusiva para o InfoAmbiental, o pesquisador do IAC esclarece dúvidas e dá dicas sobre como monitorar e irrigar de maneira eficiente.

 

O que é preciso saber na hora de irrigar?

É preciso ter informações sobre o solo, a planta e o ambiente. Do solo, além da fertilidade ao longo do perfil, sem impedimentos físicos ou químicos, é necessário verificar a capacidade de retenção da água (armazenamento) para disponibilizar para as plantas. Quanto à planta, são importantes dados como a profundidade de atuação do sistema radicular, a capacidade de extração de água no solo sem que haja prejuízos no potencial produtivo da cultura. Já em relação ao ambiente, é preciso observar a demanda atmosférica provocada pela ação dos fatores temperatura do ar, velocidade do vento e umidade relativa do ar. Estes dados são obtidos por meio do monitoramento da irrigação, que feito de forma correta auxiliará no aumento da renda do agricultor, sem prejuízos ambientais e sociais.

 

Como aparelhos com sensores que medem a umidade do solo e as variantes climáticas podem ajudar o agricultor na hora de irrigar?

Oferecendo ao agricultor o momento adequado de irrigar. Há inúmeros sensores de umidade, desde os mais simples e de custo acessível ao agricultor, como tensiômetros, tensímetros, sensores de resistência elétrica, etc, aos mais sofisticados, automatizados e de custo elevado, como a sonda medidora da constante dielétrica do solo, sonda de nêutrons, TDR, entre outros. Alguns sensores permitem a avaliação em diferentes profundidades no perfil do solo, tais como a sonda de nêutrons e algumas sondas medidoras da constante dielétrica. Outro tipo de sensor é o unitário que é instalado a cada profundidade.

 

Água demais pode prejudicar a cultura? E de menos? O que pode ocorrer nestas duas situações?

Dependendo da cultura, aquelas que não toleram o encharcamento, o prejuízo pode ser muito grande, uma vez que todo o sistema radicular é afetado. De qualquer forma há prejuízos pelo excesso de água, uma vez que para irrigar há dispêndio de energia, mão-de-obra e da própria água, que pode faltar para outros agricultores à jusante. Também pode provocar o empobrecimento do solo pela lavagem dos nutrientes, aumentar a concorrência entre a agricultura irrigada e para uso urbano e industrial e prejuízos para o ambiente. Água de menos, ou seja, a irrigação realizada com déficit e de forma sistemática pode comprometer a produção, uma vez que há estádios em que um leve déficit, via de regra na época do florescimento, causa redução na produção. Por outro lado, ao longo do ciclo das culturas, há períodos que um déficit moderado é interessante, principalmente para culturas como as gramíneas que multiplicam em perfilhos (arroz, trigo). Nesse período de multiplicação, um déficit faz com aumente o número de perfilhos e, conseqüentemente, o número de estruturas de produção.

 

Como o agricultor pode evitar desperdícios? Quais são as dicas?

O agricultor pode evitar desperdícios se seguir corretamente a orientação de como irrigar, quanto irrigar e quando irrigar. O primeiro passo, para quem vai irrigar, é conhecer bem a cultura, como é o seu comportamento diante à demanda atmosférica e as necessidades nutricionais para alta produtividade. O segundo passo é conhecer bem a sua propriedade, disponibilidade hídrica (manancial e qualidade da água), o terreno (fertilidade do solo, impedimentos físicos ou químicos) e corrigir, quando necessário. Por fim, realizar a irrigação com critério, inclusive antever a possibilidade de chuvas eminentes. Se há programação de irrigar no período e a previsão é de ocorrência chuva, suspenda!

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